Feeds:
Posts
Comentários

Tuberculose mata 12 por dia 

,

ESTADO DE MINAS – MG

Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano:

GERAIS

 

24/MARÇO/09

 

 

SAÚDE
Média de mortes é no Brasil, que registrou, em 2008, 72 mil novos casos da doença. Em BH,14% dos enfermos desistiram do tratamento

Luciane Evans

Uma doença antiga, mas não do passado. E diferentemente do que muitos imaginam, de alta incidência. Assim, a tuberculose pode até não ser tão temida e letal como em períodos mais remotos, mas ainda mata e assusta. No Brasil, no último ano, foram registrados 72 mil novos casos e 4,5 mil mortes em decorrência da doença, média de 12 óbitos por dia. Hoje, Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose, o objetivo é chamar a atenção dos doentes que abandonam o tratamento, correndo risco de vida. Para mudar esse cenário, aumentando a adesão de pacientes aos medicamentos, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou ontem que a partir do segundo semestre o Sistema Único de Saúde (SUS) contará com novo esquema terapêutico contra a doença.

Em 2008, em Belo Horizonte, dos 740 novos casos, 14% dos doentes desistiram de tomar os remédios, distribuídos gratuitamente em 146 centros de saúde da capital. No ano passado, 29 pessoas morreram em BH por causa da doença. “Além dos moradores da cidade, em 2008, tivemos 300 novos casos de pacientes que vieram para cá se tratar”, diz Maria das Graças Rodrigues, coordenadora de Tuberculose da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA). Ela explica que a doença é antiga e está ligada às condições de vida. “Um enfermo sem tratamento pode transmiti-la para 10 a 15 pessoas. Às vezes, esse contaminado mora em uma casa e divide o quarto com vários parentes, onde a propagação é ainda maior”, alerta.

O diagnóstico da tuberculose é fácil, o medicamento, gratuito e a doença tem cura. Então, qual é o motivo de as mortes continuarem? “O tratamento é o problema”, responde a presidente da Comissão de Tuberculose da Sociedade Mineira de Pneumologia, Helena Rachel Weinreich. Ela diz que para se tratar o paciente recebe uma medicação para ser ingerida diariamente, durante seis meses, sendo dois comprimidos nos primeiros meses e quatro no período restante. “Porém, como logo no início os sintomas da doença desaparecem, o enfermo acredita que está curado e interrompe o tratamento”, relata, ressaltando que os seis meses da medicação são essenciais para a cura. Ao interrompê-la, o bacilo da tuberculose cria resistência aos remédios, tornando difícil erradicá-lo depois.

“Os sintomas voltam e, muitas vezes, piores do que antes. Por isso, o doente tem de enfrentar outro tipo de tratamento, que dura o dobro do tempo, 12 meses, sendo que nos primeiros 90 dias terá de tomar injeção. Se ele ainda interromper a medicação, o bacilo torna-se multirresistente e a pessoa corre risco de vida. Há também o preconceito com o diagnóstico. Muitos não aceitam que estão doentes, escondem da família e param com os remédios. Por isso, o tratamento supervisionado por agentes de saúde é o ideal para evitarmos a evasão do doente.”

“Engoli mais do que o medicamento, degustei a informação”, conta a funcionária de uma farmácia de manipulação, Sandra Dias, de 39 anos, que há três descobriu que estava com tuberculose. “Comecei sentindo dores nas costas e no peito. Esse desconforto começava sempre no fim da tarde e foi piorando. Os remédios que tomava para aliviar a dor mascaravam o que eu realmente tinha. Até que depois de uma avaliação médica do pulmão descobriram que estava com a doença”, lembra Sandra, que confessa que nunca pensou que isso fosse ocorrer na sua vida.

“A doutora Helena me disse da importância de me tratar e meu deu o apoio que precisava para enfrentar e vencer essa etapa”, diz, ressaltando que levou até o fim os seis meses de tratamento. “Passei mal, mas hoje estou curada, graças à minha persistência e coragem”, orgulha-se. A coordenadora de Tuberculose da SMSA, Maria das Graças, diz que desde o ano passado a secretaria tem investido em educação continuada e técnicos têm visitado postos de saúde, discutindo cada caso de tuberculose.

HIV A baixa imunidade do organismo é ponto de partida para a doença se manifestar – pessoas com câncer e portadoras do HIV estão mais propensas a serem contaminadas pelo bacilo, que circula pelo ar. “Dos 71 casos de pessoas que morreram e estavam com tuberculose na capital, 42% tinham AIDS“, revela. Segundo Helena Rachel, a tuberculose pode ocorrer em qualquer parte do corpo, menos nas unhas e nos cabelos. “Os sintomas podem ser as tosses, que podem vir seca ou com sangue, febre baixa no fim da tarde e suadouro durante a noite. Há também falta de ar e dor no peito”, diz, enfatizando que quem tossir por mais de três semanas deve procurar um médico.

 

( http://www.suportemaximo.com.br )

Postagens Antigas »